Topo

Entrevista com o Moonboots – Aficionado

Entrevista com o Moonboots – Aficionado

Semana passada batemos um bom papo com o Richard Moon, também conhecido como Moonboots. Baseado em Manchester na Inglaterra, Moon é DJ há quase 30 anos e hoje dirige o Aficionado, um dos nossos selos preferidos e um dos guardiões do estilo chamado Balearic:

Dinâmica: Olá Moon, tudo tranquilo?
Moonboots: Olá!

Dina: Vamos começar pelo seu nome como DJ, Moonboots. Vem daquela faixa do ORS?
Moon: Não, infelizmente! É um apelido meio besta dado pelo meu amigo Justin muito tempo atrás.

Dina: Qual sua idade?
Moon: Tenho 46.

Dina: Além do selo e de discotecar, você tem algum emprego fixo relacionado com música?
Moon: Agora não. Eu já trabalhei na loja Eastern Bloc por um bom tempo nos anos 90.

Dina: Com qual frequência você compra discos?
Moon: Todo tempo. Provavelmente tempo demais para o gosto da minha namorada!

Dina: Como você descobre novas faixas? Compra discos aonde?
Moon: Tenho sorte de receber muitas faixas promocionais, tanto em vinil como digital. Compro em lojas, mas também do eBay ou do Discogs. Se estiver me sentido particularmente empolgado, compro em locais como a GrowingBin e a WildLife.

Dina: Você procura ou escava (na falta de uma tradução melhor para “dig”) discos regularmente? Em quais lugares?
Moon: Eu tento, mas esta difícil encontrar tempo. Certamente gostaria de procurar mais. Em Manchester eu adoro tanto a King Bee e a Sifters. Sempre tem alguma preciosidade. Vinyl Tap em Huddersfield também é ótima, com um imenso porão cheio de discos empoeirados. Também curto a Waxwell e a Redlight em Amsterdam.

Dina: Já vi a palavra “Balearic” usada pra descrever tantos estilos e sons diferentes que me parece ter perdido o sentido. O que essa palavra significa para você?
Moon: Ha! A clássica pergunta! Sem responder misticamente, você sempre sabe quando um disco é ou não é Balearic. Claro que pode significar algo completamente diferente para a pessoa sentada ao seu lado. Mas se a música faz você sorrir e pensar sobre o verão, então pode apostar que ela é Balearic!

Dina: Você gosta de música brasileira? Algum estilo ou artista em particular?
Moon: É claro que gosto. Eu gosto muito do inicio da Bossa Nova e todo lance do final dos 60 e início dos 70s com a MPB política é sensacional. A parte engraçada é que eu não tenho a mínima ideia do que eles estão cantando! Apenas adoro o som dos vocais, que parecem outro instrumento.

Dina: Por favor, diga 3 discos brasileiros com uma pegada Balearic.
Moon: Sandra, Gal e Rita.



 

Dina: Já ouvi muitas histórias sobre DJs, particularmente no Reino Unido, que venderam uma boa parte (ou toda) suas coleções de discos, para conseguir dinheiro rápido e pagar as contas, e depois se arrependem ou recompram a maioria dos discos novamente, quando as finanças pessoais melhoram. Isso já aconteceu contigo?
Moon: Ah Sim! Eu costumava ter uma grande coleção de raridades como primeiras prensagens dos singles e LPs do Kraftwerk que eu tive que vender para pagar o aluguel de um apartamento zoado que costumava morar. Hoje em dia ainda lamento e não consegui recuperá-los todos.

Dina: Você tem uma relação pessoal com seus discos, como se fosse seus filhotes ou bebês?
Moon: Hahaha. Talvez com alguns deles. Por exemplo, tenho um fetiche por versões cover da Lesley Duncan’s Love Song. Embora algumas versões sejam bem ruinzinhas, eu amo todas como uma família!

 

Dina: A pergunta do Haçienda! Você frequentou? Discotecou lá? Em que época foi um bom club? Como era? Quão importante para a cena “dance” no Reino Unido foi o club?
Moon: Yeah! Tive a sorte de frequentar o Hac desde o final de 1987. Quando o 2o Verão do Amor estourou em 88 eu estava no meio da pista e provavelmente foi a mais incrível experiência em um club da minha vida. De 88 até 90 foi incrível, mas não foi tão especial depois disso. O Haçienda foi importante para mostrar que coisas legais aconteciam no norte da Inglaterra também, não só em Londres. O apartamento zoado que mencionei antes ficava em frente ao Hac, embora o clube já estivesse fechado há algum tempo. Eu olhava melancolicamente a antiga porta do Hac pela janela do meu apê.

Dina: Você frequentava fóruns online como o DJ History. Mas este estilo de website se foi agora que a internet parece o Facebook apenas. Hoje você visita algum fórum/site para discutir e pesquisar sobre música?
Moon: Nenhum lugar específico agora. Como você disse, o Facebook parece o local para tudo e todos. As vezes parece mesmo que o Facebook é a internet! Nós temos uma página da Aficionado para publicar sobre nossos lançamentos e festas, além de uma conta no Instagram e no Soundcloud

Dina: Como você vê o futuro da internet para descobrir música nova e como meio de divulgação de lançamentos por artistas e selos?
Moon: A internet esta em todos lugares agora, então é essencial para música. Tanto para divulgar e promover lançamentos como para escavar música desconhecida. Nós não lançamos digitalmente, mas muitos selos fazem isso hoje em dia.

Dina: Sobre seu selo Aficionado, vocês praticamente dobraram o número de lançamentos por ano agora em comparação com o início do selo em 2012 e 2013. Você gostaria de continuar crescendo? Você acha possível manter a qualidade alta ao mesmo tempo que aumenta o número de lançamentos?
Moon: Não vamos continuar crescendo. Acho que qualidade é sempre mais importante que quantidade. Nós somos um pequeno selo no “grande esquema das coisas”. Nós só queremos continuar lançando boa música em que acreditamos.

logo

Dina: Como você encontra nova música para lançar? Quanto você pede aos artistas diretamente? Quanto você recebe de demos? Você conhece seus artistas pessoalmente ou online?
Moon: Temos sorte de conhecer um monte de gente espalhada pelo mundo virtual. A maioria de nossa música vem de demos que recebemos, mas ocasionalmente pergunto para artistas que escutei no SoundCloud para saber se estão interessados em lançar pelo nosso selo. Encontrei a maioria dos artistas pessoalmente, mas alguns moram no outro lado do planeta. Na real, vamos receber Len Leise em Manchester para discotecar nos próximos dias e estamos curiosos para conhecê-lo pessoalmente.

Dina: Quantas cópias vocês prensam dos discos da Aficionado? Quantas vendem? Algum sucesso de vendas?
Moon: Entre 300 a 500 cópias, e a maioria esta esgotada.

Dina: Os lançamentos da Aficionado estão disponíveis para download? Serão disponibilizados no futuro?
Moon: Não… NÃO!

Dina: Qual será o futuro das gravadoras de discos? Ainda serão relevantes dado papel de sites como BandCamp, SoundCloud, etc?
Moon: Acho que as gravadoras independentes estão aqui para ficar. Mais prensas de discos estão abrindo para suprir a demanda de novos lançamentos. BandCamp é ótimo se você quiser distribuir seus próprios discos. Mas acho que há espaço para todos formatos.

Dina: Parece que há uma explosão de boa música produzida na Austrália nos últimos anos, parte lançada pelo seu selo (András, Len Leise e agora o Bronze Savage). O que esta acontecendo lá?
Moon: Só Deus sabe! hehehe. É um país tão isolado que acho que sempre existiram boas cenas e artistas por lá, mas nós aqui no Ocidente simplesmente não conhecíamos. A Internet também ajudou a tornar o mundo muito menor. Um disco incrível lançado este ano que também veio da Austrália foi a colaboração entre o András/Eleventeen Eston, muito bom!

Dina: Temos a impressão que seu gosto ficou mais suave e ambiente, e menos (batidas) Balearic nos últimos anos, tanto no selo como nos seus DJ mixes. É proposital?
Moon: Nem tanto. Acho que nos meus mixes, tenho a tendência de ser mais calmo já que preparo principalmente para escutá-los quando pego o trem ou quando estou tomando banho! Ainda toco sets bem baleáricos e acho que o selo sempre foi (e sempre será) bem eclético. Nosso padrão é “se nós gostamos, nós lançamos”.

Dina: Quais são os próximos lançamentos na Aficionado?
Moon: Estamos empolgados com os novos discos! Agora teremos o nado021 com quatro faixas de artistas de Manchester em colaboração com nossos amigos na GoodMeasure. Também teremos um EP parte 2 no próximo ano com uma camisa da Good Measure lançada no verão de 2017. Também lançaremos um ótimo EP do Tommy Awards e um novo disco da Brenda Ray.

Dina: Obrigado pela conversa, Moon. A propósito, quais são suas faixas preferidas do momento?
Moon: Estou curtindo estas faixas do Matt Sewell, The Swan and the Lake, e Bendith. Até logo!

Sem comentários

Fazer um Comentário